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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Casa na Serra (1)

Vamos ver um caso que poderia ser da vida real, por exemplo, você mora em Porto Alegre e tem uma casa de fim-de-semana na serra. O que vai acontecer? Pois quando você chegar em casa como está fria, tem que acender lareira, calefação ou ar-condicionado; e leva um tempinho para aquecê-la. Aliás tinha um amigo gaúcho que contou para mim que os invernos de Bagé são para renguear cusco. Mas se você construir uma casa com grande isolamento térmico, não vai perder calor no inverno e quando chegar a vai encontrar morna ! E se ainda tem frio vai gastar muito menos dim-dim em climatização, pois você ligar o ar-condicionado numa habitação morna não num iglu no pólo.  Mas esse isolamento térmico do telhado, muros e pisos, também vai ajudar com o calorão do verão. A casa é a Passivhaus. Quer saber quanta energia pode consumir se comparada a uma casa convencional ?

Passivhaus estilo Enxaimel (2)

Enxaimel o Fachwerk é uma construção feita de muros de estrutura de madeira, com espaços enchidos de alvenaria local, notadamente taipa, barro socado, tijolo maciço com ou sem reboco, pedra. O muro de alvenaria fornece a massa térmica necessária para armazenar calor, só tem um detalhe fundamental, o isolamento térmico numa Passivhaus deve ir colocado pelo exterior para ser eficiente, e claro receber logo um acabamento. A Passivhaus, surgida originalmente no clima frio da Alemanha, tem um custo inicial de construção 15 a 20% mais do que uma casa convencional, com consumo quase zero de energia. Esse sobre-custo vai ser amortizado com esta poupança em energia. Também não existe o “caro” como conceito. Caro ou barato tem a ver com o que você recebe pelo que paga. Quem pode dizer que um Mercedes Benz é caro ? Você está comprando um carrão, por sinal também alemão, com um monte de prestações!   Este da imagem é o carro híbrido M-Class Hyper, com um motor de combustão interna a gasolina e ou…

Passivhaus estilo Enxaimel (1)

Não sei se consegui transmitir direitinho a idéia; a Passivhaus não é um modelo ou estilo de casa, é um padrão, ou melhor ainda, a Norma alemã de desenho e construção da habitação com consumo praticamente zero de energia. Os arquitetos têm liberdade de escolher o “estilo” arquitetônico e materiais desejados, por exemplo, o estilo mediterrâneo, o enxaimel dentre outros. Sempre que respeitem uns poucos parâmetros de desenho como a correta orientação solar, volumetria compacta da edificação, super-isolamento térmico e a ótima hermeticidade dos muros, pavimentos e telhados. A estanqueidade dos muros inclui a das aberturas, a qual é testada com o Blower Door, a porta sopradora, conforme vemos na imagem 4. 
Mas como será este estilo arquitetônico enxaimel ?

Passivhaus em Qatar (2)

O projeto Baytna envolve a construção de duas casas em Barwa City South West of Doha, a capital de Qatar. As duas habitações são uma Passivhaus e uma casa convencional, chamada de Business As Usual (BAU). Na imagem 2 à direita e à esquerda, respectivamente. Ambas as casas são habitadas por duas famílias com dois filhos, serão monitoradas por um período de 3 a 5 anos. O objetivo principal do projeto se compararmos a Passivhaus com a BAU é a redução do 50% do consumo anual de água e energia, bem como as emissões de CO².
O consumo tão pequeno de energia da nossa Passivhaus foi atingido com o super-isolamento térmico da envoltória exterior, o que impede ganhar calor de dia, e perdê-lo nas frias noites. Na imagem vemos os muros exteriores de blocos de 20 cm de espessura, e ainda por fora uma camada de 37 cm de poliestireno expandido. Complementariamente as aberturas e as portas são de triplo vidro com duas câmaras de ar.

Passivhaus em Qatar (1)

Ainda que a Passivhaus -significa casa passiva em alemã- tenha um custo inicial de construção 15 a 20% mais do que uma casa convencional, construir conforme o padrão Passivhaus é bom negócio, para a incorporadora, para o cliente, e para o meio ambiente. Prova disto é o interesse da Barwa Real Estate, incorporadora qatari; ela desenvolveu o projeto Baytna, para testar o desempenho da Passivhaus no clima tropical seco de Qatar e na espalhada região do Golfo Pérsico. Acontece que a Passivhaus surgiu originalmente no clima frio da Alemanha. O empreendimento construído em 2013 foi uma parceria com o Qatar Green Building Council e a Kahramaa, a empresa de água e eletricidade de Qatar.
É bom lembrar que a Passivhaus é uma habitação com consumo quase zero de energia, neste caso o consumo com ar-condicionado, estamos no deserto, é menor o igual a 15 kWh/m²/ano. Entanto o consumo de energia primária é menor o igual a 120 kWh/m²/ano.  Mas como foi atingido este consumo tão pequeno  de energia?

Arquitetura Tropical em Masdar

Agora o interessante é como a construção da cidade Masdar nos Emirados Árabes Unidos, recupera alguns princípios construtivos da kasbah; no masterplan de Foster + Partners, vemos as ruas dispostas para tirar partido dos ventos prevalentes e torres de vento, de entre outros elementos da arquitetura do deserto. Masdar ainda em construção, foi desenvolvida a partir de zero tal e como aconteceu com Brasília; mas a diferença dela, desenhada com superquadras para o uso do automóvel, a nova cidade não tem carros convencionais e sim carros elétricos. O empreendimento de cidade Masdar, nasceu para ser a Meca do comércio e geração do conhecimento de energias renováveis. Significa que qualquer empresa importante de energias limpas, como a Siemens, por exemplo, vai ter sua filial lá. Atenção às empresas brasileiras de energia ! Ainda faz anos está funcionando o Masdar Institute of Science and Technology, o Instituto tem o patrocínio e o apoio pedagógico do prestigioso MIT Massachusetts Institute …

Arquitetura Tropical (2)

Entanto o clima das regiões do trópico seco inclui abundante radiação solar com importantes oscilações térmicas, no dia podemos ter mais de 45ºC e à noite graus negativos, justamente pela carência de chuvas. A umidade é um amortecedor das diferenças de temperatura. Este tipo de construções as podemos a encontrar no Yemen e no Sul de Marrocos. Estes povoados estão formados por conjuntos de edificações chamadas “kasbah”, unidas a estruturas mais baixas criando assim um rico conjunto, a disposição duma kasbah é uma praça central, um grande pátio aberto, com quatro torres nos cantos. Os grossos muros estão construídos com argila e tijolos recheios com palha, também levam troncos de palmeira como elemento estruturador para providenciar rigidez, como se fosse o aço do concreto armado.  
A kasbah é outro bom exemplo de adaptação ao clima local geográfico, os muros têm grande inércia térmica, pois durante o dia armazenam o calor providenciando conforto, esse calor é liberado pela noite onde as…

Arquitetura Tropical (1)

O clima do trópico úmido é caracterizado por muita radiação solar, fartas chuvas com grande umidade do ar. Então a estratégia para construir uma casa conforme o clima local, a chamada de arquitetura bioclimática, é proteção para as chuvas e a radiação solar; com máxima ventilação para a alta umidade. Na arquitetura vernácula malaia a proteção é conseguida com grossos telhados inclinados de palha, palha de sapé ou piaçava; para escoar rapidamente as águas das torrenciais chuvas. O telhado atua como um grande guarda-chuva e isolante térmico, ainda a palha impede as condensações pois o telhado pode “suar”. A proteção solar se complementa com beirais, venezianas, e árvores próximas. Para lutar contra a alta umidade, é necessário ter máxima ventilação com andares e fechamentos laterais abertos, ainda a casa é construída sobre palafitas. Os muros são mínimos mesmo às vezes quase inexistentes. Como materiais de construção são empregados madeira e vegetais; é dispensado o uso da alvenaria; a …

Visitando uma Passivhaus

Este vídeo apresenta duma forma incomum um assunto apaixonante: a Passivhaus, ou Passive House em inglês. Vamos lá !

Retrofit em New York (2)

A reforma deste apartamento Tighthouse Brownstone, 195 m² com muros de alvenaria, é um projeto da  Arqª. Julie Moskovitz e seu escritório Fabrica 718. Como vemos nas imagens tem farta iluminação natural o que não acontecia no prédio original de dois séculos atrás; ainda a luz natural é potenciada com escadas de metal perfurado e painéis de vidro. Entanto a iluminação artificial é por conta de lâmpadas fluorescentes e LED.
Seu nome Tight House significa casa hermética, pois sua envoltória exterior é exatamente isso: hermética. O interessante é como na fase de projeto já foi testada a hermeticidade e em conseqüência o gasto em climatização, com um programa de software chamado de PHPP, significa Passive House Planning Package.
O projeto inclui materiais de alto desempenho, sistema de ventilação com recuperador de calor HRV. O terceiro andar acrescentado tem um telhado inclinado com 5 m² de coletores solares térmicos, painéis fotovoltaicos de 2,5 kW, um sistema de coleta das águas de chuva.…

Retrofit em New York (1)

Se tivermos um prédio antigo, será que podemos fazer uma reforma para torná-lo um edifício Passivhaus ? Pois a resposta é SIM com maiúsculo. Este é o caso do Tighthouse Brownstone em Brooklyn, New York; um edifício de 1899 que foi aprimorado com esta reforma em 2012. O retrofit acrescentou uma nova fachada posterior, um terceiro andar, e um terraço na cobertura. Este apê é a primeiro projeto certificado Passivhaus na "grande maçã", e ganhador do 2014 International Passive House Design Awards. É equivalente a dizer que se trata dum prédio energeticamente eficiente com consumo quase zero em climatização; a Passivhaus consume  90% menos energia com calefação que uma casa convencional bem como 75% menos energia primaria.
Na imagem térmica vemos como o nosso apartamento é o único com fachada azul, o que significa que não está perdendo calor; enquanto os prédios vizinhos com muros cor vermelho e amarelo sim tem perdas térmicas. A imagem térmica é uma ferramenta de trabalho, a cada …

Passivhaus em Auckland (fim)

Como todas as Passivhaus são moradias estanques, é fundamental a ventilação cruzada apoiada com um sistema mecânico HRV Heat Recovery Ventilation, nosso conhecida ventilação com recuperação de calor. Com isto é possível controlar de forma eficiente a temperatura interior do edifício. O vemos no canto direito da imagem 2; bem como o super-solamento térmico -cor laranja- no pavimento térreo e o mais grosso no telhado. Ainda na casa, parte da energia elétrica é gerada por um sistema de painéis fotovoltaicos instalados no telhado. 
E no Brasil ? Pois o selo Procel Edifica pontua para a certificação os três maiores consumidores de energia numa edificação; a envoltória exterior, o ar-condicionado, e a iluminação artificial. Todos estes itens são contemplados no padrão alemão Passivhaus.
Agora a cereja do bolo...a pergunta fundamental, quanto mais dinheiro custou a construção desta fantástica casa ?
O estimado é que o custo final desta Passivhaus foi de 10-20 % mais caro do que uma construção c…

Passivhaus em Auckland (2)

O pavimento do térreo é uma laje de concreto de 10 cm de espessura vertido sobre uma capa 10 cm de poliestireno expandido EPS, atuando como isolante térmico. A camada de EPS leva por cima uma capa de polietileno (náilon), estando apoiada num leito de areia compactada no terreno. Os muros estruturais são de madeira seca em estufa formando a maioria dos quadros das paredes; enquanto nos muros de alvenaria foram empregados blocos de concreto.
A hermeticidade das paredes é por conta de diversas membranas, como esta Intello da imagem 3. A capa é uma membrana anti-vapor que impede a infiltração de ar não controlada ou fugas através da envolvente do edifício.
Entanto as janelas levam aberturas herméticas de vidro duplo; a estanqueidade é conseguida com a aplicação de uma espuma expansível entre o caixilho da janela e a abertura. 

A pergunta do milhão é quanto mais din din custou a construção desta fantástica casa?

3000 POSTs

Exatamente hoje este blog Arquitetura Solar está cumprindo 3000 posts publicados.  Em 8 anos é um post publicado por dia. Obrigadão pela sua preferência pessoal !

Passivhaus em Auckland (1)

Esta casa poderia perfeitamente ser construída no Rio Grande do Sul, estado de clima temperado do tipo subtropical.  Até o ano passado só havia uma casa certificada Passivhaus na Austrália, a moradia PH1NZ construída em Auckland com projeto de Jessop Architects.  Basicamente uma Passivhaus fornece ótimos níveis de conforto com reduzido gasto em climatização. Face isso é necessário minimizar quanto possível as perdas de calor pelos muros, telhado e pavimento; bem como impedir os vazamentos ou infiltrações de ar. Todo isso com uma a envoltória exterior totalmente hermética, conseguindo assim eficiência energética, conforto e uma casa.de preço acessível.  Esta moradia com 249 m² é um caso interessante de construção mista de madeira e alvenaria.