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Cape Shanck House do Paul Morgan (fim)



Meu comentário final é que sim, a casa é sustentável mas talvez essas formas loucas não trazem paz ao espírito, até é discutível se são formas belas, isso é coisa de cada um, sou um cara racional e gosto das coisas digamos assim mais ordenadas, mais estruturadas.  Porém neste blog tento escrever livre e solto, sem essa ordem que vocês podem encontrar nas revistas o livros de arquitetura, essa ordem pode significar aborrecimento; muitas vezes gosto de começar pelo final, identificando em cada edificação qual é o seu coração, o carro chefe que balizou o trabalho do arquiteto. Mas vou confessar que também não gosto muito dessas plantas baixas ortogonais onde tudo são ângulos retos, isso é chato -para mim- adoro uma planta com movimento e curvas ! Vou dizer na minha defesa que nasci quando o Elvis começava a gravar discos e tenho meus preconceitos, como todos os temos. Mas sim que existem projetos arquitetônicos feios com ângulos agudos, agressivos, e para pior esses ângulos não são funcionais, dá para ver que em qualquer ângulo menor a um reto não entra nem uma cadeira nem uma mesa !  As vezes acho que no intuito de obter destaque, alguns arquitetos fazem uma espécie de “vale tudo”, como se fosse uma estética da feiúra. Até nos penteados das mulheres -as vezes- vigora esta estética de coisa feia; e no visual de alguns roqueiros modernos a mesma coisa... Estes meus conceitos podem até aparecer contraditórios, mas é o que eu sinto. O arquiteto americano Robert Venturi escreveu um fantástico livro “Complexidade e Contradição na Arquitetura”, ele diz que não gosta da escolha entre o branco e o preto, ele prefere branco mais preto... a cinza !  Todo isto é muito pessoal, gostos não se discutem; também não aprecio esse negocio do minimalismo e decoração clean, para mim isso significa pobreza, mas há os que gostam, e tem todo o direito, sim senhor. Para encerrar ainda duvido se esta casa no Cape Shanck poderia ser também pré-fabricada em série. Muitos arquitetos têm essa vontade de tentar sempre procurar formas novas e estranhas...parece até coisa frívola, produto da educação nas faculdades de arquitetura, onde são educados como “artistas”. Já o engenheiro procura a eficiência, não perde o sono pela procura de formas raras.


Ps. amanhã vamos retomar o fantástico tema da presença do verde em nossas edificações, aguardo a vocês !
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