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Hotel Remota na Patagônia (fim)



Deixei para o final estas palavras do arquiteto Germán del Sol, para comprovar outra vez como atrás das grandes obras de arquitetura -com maiúsculo- sempre há uma filosofia do projeto, neste caso também há uma poesia do projeto que o arquiteto a faz explícita. Tentei traduzir para o português seus pensamentos em espanhol; minha vovó quando me ensinava francês -no século passado...rss- me dizia que há duas traduções a literal (a exata) e a “do coração”, tentei fazer esta última, tomara seja com sucesso. Mas antes uma última reflexão, eu sempre gostei da eficiência dos engenheiros, eles são treinados para fazer projetos racionais. Pelo contrário às vezes vemos projetos de arquitetura -agora com minúsculo- onde as questões estéticas estão por sobre as sustentáveis ou ainda funcionais, pois os arquitetos são capacitados para procurar a beleza, e agreguem vocês essa parte de egocentrismo tal e como os artistas do cinema, e temos assim esses projetos esquisitos e snobs. Mas neste caso além de eficiente e sustentável este arquiteto tem sensibilidade, isso não se compra na farmácia, nem todos os profissionais a têm.
Vamos lá com as palavras do arquiteto: 

Remoto é acho, o local geométrico onde se cumpre para cada um
o objetivo comum de toda viagem, que é talvez, tomar uma boa distância (viajar não é necessariamente ir
ao topo do morro) com o dia-a-dia de cada um, para que desapareçam os detalhes sem importância e seja possível
compreender a totalidade...

Remoto não é o mesmo que desconhecido. Um local remoto é reconhecido como tal, você sabe que chegou, porque
sente que a viagem é concluída,
e é devolvido suavemente para o seu próprio jardim,
como quem se joga de cabeça numa piscina, uma vez que entra na água,
começa a ser devolvido suavemente à superfície.

Acho que um local remoto faz presente o desconhecido, aquilo que não sabemos: quem não ha tido a experiência de
estar deitado uma noite olhando as estrelas de costas na praia, ou num barco,
e haver pensado...”não somos ninguém”, esse pensamento um pouco depressivo
eu o entendo mais como,
...”isto me lembra todo o que ainda não sabemos”...
ainda a praia, as estrelas, e nós todos sejamos conhecidos,
o desconhecido ou o inesperado aparecem na natureza brutal
quando a aparente certeza da cidade fugir,
nesse sentido a praia ou a cobertura da noite, sejam remotas
da casa onde moramos.

Convite: amanhã vamos visitar a casa Guarda-Chuva Solar, na Califórnia.
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