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Percorrendo o MIS no Rio de Janeiro 3



ALEGRES TRÓPICOS
O andar mais emocional do museu tem boa parte dedicada a Carmen Miranda –personagem síntese do MIS- que vai incorporar o acervo do museu que leva seu nome e atualmente está instalado no Flamengo.  O nome do espaço faz uma alusão à obra Tristes Trópicos, do antropólogo Lévi-Strauss, lançada na mesma época. “Carmen transforma o modo de vida carioca em linguagem artística, conquista o Brasil, estiliza isso e vira sinônimo do país no exterior”, explica Sukman. Enquanto houver Brasil ou como Carmen Miranda e sua turma inventaram o país será uma experiência dividida em três partes: a Carmen carioca, cantora; uma espécie de sala de embarque, mostrando sua transição; e a Carmen de Hollywood, de exportação. Para unir e relacionar esses momentos da vida da artista, o visitante poderá observar uma linha do tempo que compara a trajetória dela com a de Getúlio Vargas, que se confunde com a história do Brasil. Getúlio chega ao poder em 1930, após liderar a revolução; Carmen estoura nas rádios no mesmo período, com “Taí”. Eles morrem em datas próximas, 1954/ 55, deixando, cada um a seu modo, um legado modernizante ao país.

Como as novelas produzidas no Rio também são elementos de exportação –um fenômeno carioca, uma linguagem forjada na cidade– outra sala, no mesmo andar, abrigará duas experiências ligadas ao tema, sendo uma delas um game interativo. Ainda nesse andar, no vão central do prédio, ficará A Banda: uma instalação formada por instrumentos que fazem parte do acervo do MIS e contam a história da música brasileira, que tem sua origem nas bandas militares, da banda do Corpo de Bombeiros, por exemplo, saiu o primeiro compositor popular brasileiro, Anacleto de Medeiros. O piano de Ernesto Nazareth, o bandolim de Jacob, a batuta de Villa-Lobos e o saxofone do Pixinguinha, entre outras preciosidades, flutuarão como uma banda voadora. Cabines multimídia dão informações sobre cada um deles, usando suportes diferentes.

É SOL, É SAL, É SUL
Ao subir mais um andar, o visitante efetivamente irá passear pelo Rio de Janeiro, por sua evolução urbana. A descoberta do mar, com a Avenida Central e os túneis, e o desmonte do Monte do Castelo, que gera o aterro, são algumas das bases da expografia deste trecho do museu. Por meio do olhar dos fotógrafos Augusto Malta e Guilherme Santos, a descoberta do Rio como uma cidade diurna e sua relação com a natureza são reveladas, na primeira metade do século XX. As fotografias de Guilherme Santos –até então inéditas– serão transformadas em 3D, com a ajuda de estereoscópios, e as panorâmicas de Malta serão ampliadas pela primeira vez. Além das fotos, haverá filmes nacionais e estrangeiros, gravuras, textos, manchetes de jornais da época, ilustrações, cinejornais e registros sonoros.
Para continuar contando essa história até os dias de hoje, fechando este andar, uma grande tela irá exibir uma peça audiovisual que utiliza uma centena de filmes de ficção, editados entre si, tendo a cidade do Rio como protagonista e cartão postal do Brasil.


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