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C&T como vetor para sustentabilidade (2)




Relações de Interdependência: é preciso ter estratégias globais adequadas às realidades locais

As relações de interdependência política, econômica, cultural, social e comunicacional vêm fazendo com que as grandes corporações modifiquem suas estruturas para a continuidade de atendimento às “necessidades de consumo” da população, que deseja incansavelmente meios de vida que lhe proporcione saúde e bem-estar.  

O posicionamento estratégico global das grandes redes também influencia as ações localizadas em respeito aos hábitos e culturas locais dos consumidores. Recentemente o McDonald’s anunciou a implantação de duas franquias na Índia com cardápio vegetariano, além da substituição, na Inglaterra, de brinquedos por livros infantis no famoso Mc Lanche Feliz, alvo de duras críticas de ONGs e organizações que lutam pelos diretos das crianças e adolescentes.  Esses movimentos são reflexos das mudanças estratégicas da rede, pois não basta agradar os clientes, é preciso manter o interesse e atraí-los com ofertas que realmente atendam às necessidades de consumo existentes, porque a competição, o preço e a concorrência serão sempre o calcanhar de Aquiles das empresas que necessitam cumprir seu papel social, que é gerar lucro e promover o desenvolvimento.   Assim, essa sociedade interconectada protagoniza as mudanças e influencia comportamentos semelhantes em grupos como o Procon, o Idec – Instituto de Defesa do Consumidor, o Portal Reclame Aqui e o Cadastro de Reclamações Fundamentadas, permitindo a troca de experiências e a conexão, experiências que servem como verdadeiros norteadores de como a sociedade enxerga e gostaria de ser prontamente atendida. Além dessas influências, podemos perceber que a incorporação do discurso da sustentabilidade junto à sociedade consumidora pós-Rio-92 tornou possível às organizações enxergarem a minimização dos seus riscos reputacionais por meio da associação de uma imagem positiva por ser uma empresa “amiga do meio ambiente”. Entretanto, é aí que mora o perigo, pois seriam necessários muitos acordos e transferências de tecnologias dos países desenvolvidos aos países emergentes para conseguirmos adaptar a produção industrial a ponto de conseguirmos uma economia de baixo carbono capaz de atender à demanda mundial de consumo e para que as empresas possam ser realmente chamadas de “amigas do meio ambiente”.

Mudanças nos padrões de consumo

As mudanças nos padrões de consumo atuais da população mundial vêm influenciando as organizações a fazer uma adaptação de matérias-primas, e novas tecnologias vêm sendo incorporadas para assegurar a continuidade dos negócios mundiais, principalmente porque os grandes CEOs já sentiram no bolso que os recursos ambientais estão cada vez mais caros, o que poderia inviabilizar qualquer manutenção de negócios como os que estão praticando atualmente. Hoje a sustentabilidade passou a ser incorporada como valor para a sociedade, e não estamos falando sobre mudanças nos comportamentos individuais, como deixar o carro na garagem ou fazer coleta seletiva de lixo; trata-se da maneira como as empresas mantêm as suas atividades produtivas em grande escala, como, por exemplo, trabalhando na previsibilidade de riscos inerentes à extração de matérias-primas e como gerenciam seus impactos e mantêm a resiliência.  Neste sentido, valor pode ser encarado como assumir publicamente a responsabilidades pelos seus atos, prestando contas à sociedade, caso as empresas não sejam tão boazinhas como parecem. Contudo, aqui temos um grande desafio, pois, do ponto de vista tecnológico, tais mudanças rumo à produção mais limpa é difícil de ser incorporada em países emergentes, que ainda não possuem altas capacidades tecnológicas, mas necessitam avançar urgentemente rumo a uma economia sustentável e de baixo carbono. 

E aqui está a centralidade das discussões que pretendemos abordar durante o CiiS 2013 – 1° Congresso Internacional de Inovação e Sustentabilidade: como incorporar a ciência e a tecnologia em ações sustentáveis que contribuam efetivamente com a produção mais limpa, rumo a uma economia de baixo carbono?

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